sábado, novembro 04, 2006

ESCOLA, PROJETO PEDAGÓGICO E CURRÍCULO atividade_4
No decorrer do meu curso de magistério, trabalhava no turno contrário em uma escola, e por tanto tinha uma vivência do espaço escolar que muitas colegas não tinham.Isso acabava por trazer reflexões do que realmente era ensinado no curso e o que na realidade era visto nas escolas.

O que mais me chamava à atenção era o posicionamento das colegas, que na sala de professores queixavam-se constantemente das precárias condições de trabalho, da falta de educação e respeito dos educandos e superioridade dos administradores. Mas o fato era que a maioria queixava-se, porém nada faziam para modificar a situação.

Algumas se sentiam satisfeitas em terem passado no concurso e seguiam a prática comum; cumprir a carga horária e no final do mês receber o salário.

Em 2000 comecei a trabalhar na Educação Infantil, paixão que se revelou desde o primeiro momento e com a vivência na escola e dentro do sistema, as práticas e situações começaram a me angustiar, principalmente a discriminação das crianças de determinadas etnias e classes sociais diferentes, da violência verbal e oculta e da falta de relação dos professores com os dizeres e as praticas exercidas em sala de aula.

Neste mesmo ano reuni com outras professoras de educação infantil e com entidades sindicais para tentar encontrar meios de transformar e modificar o olhar que muitos tinham sobre a educação infantil, a relação indissociável entre educar e cuidar, e sobre a desvalorização do professor.

O debate oferece aos professores a oportunidade de se organizarem coletivamente para melhorar as condições em que trabalham, e demonstrar ao público o papel fundamental que eles devem desempenhar em qualquer tentativa de reformar as escolas públicas. HENRY A. GIROUX

Giroux retrata muito bem o pensamento que tínhamos, que seria através de nossa mobilização que mudaríamos as situações e demonstraríamos qual é o verdadeiro papel do educador.Por se tratar de crianças pequenas, muitos trazem a visão de que não é nesta idade que as mudanças e a formação do ser acontece, porém como disse Maria Montessori em seu livro Mentes Absorventes ?a criança aprende mais do zero aos seis anos do que um adulto ao longo de toda a sua vida?.

Então percebi que o desafio do professor na escola não é somente o seu trabalho em sala de aula, mas o que eu coloco como todo o currículo que perpassa no espaço escolar, desde as relações, ao fazer pedagógico.

Neste tempo, observei o quanto as relações afetam a aprendizagem na educação infantil, pois em muitos casos as crianças são atendidas em média por dois profissionais por turno, isso nos remete a quatro profissionais por dia, podendo haver diferentes dizeres e ações.

Pensemos no quanto esta diferença de opiniões deve ?problematizar?, ?perturbar? o pensamento da criança e isso está diretamente ligado ao currículo, estas relações interpessoais permeiam os aprendizados. Depois de analisar, Bujes (2003) afirma que:

O sujeito é visto como produto não apenas da teia de relações de poder constituída pelas estruturas sociais, políticas e econômicas, mas também das instituições que se organizam apartir daí e dos discursos que aí circulam.

Um outro levantamento que faço é a escolarização da educação infantil.Crianças desde a idade de um ano caminham pelos corredores da escola enfileirados, tem horário para as necessidades básicas, brincam cada momento com o que é disponibilizado e não com o que querem.Isto não nos remete ao modelo de escola mais comum? Onde fazemos o discurso libertador e não aceitamos que um educando se oponha as nossas opiniões, e que seja disciplinado?Onde organizamos o horário, calendário da forma que pensamos ser a melhor, a mais controladora?

José Pacheco, em seu livro ?Quando eu for grande quero ir à primavera? coloca que.

A indisciplina é a filha dilecta do autoritarismo e da permissividade.A disciplina que me refiro é a liberdade que, conscientemente exercida, conduz à ordem; não é a ordem imposta que nega a liberdade.Enquanto não compreendermos isto, não compreenderemos mais nada.

Questiono-me enquanto educadora, sobre o disciplinar dominante desde a primeira infância e qual reflexo é percebido nos educandos nos próximos anos da vida escolar e dos fazeres pedagógicos que atrás desta dominação se ocultam.

Nós também nos disciplinamos, estamos tão acostumados a estes fazeres que acabamos por não questionar, não mudar.Sei que muitos me diriam que não é fácil modificar, porém eu digo que é possível.Há formas de participação e transformação, só o que nos falta é sair da inércia.

E desta forma transformo permanentemente o meu fazer, tanto em sala, quanto debatendo através de movimentos governamentais e não governamentais, a possibilidade de melhores políticas públicas para a primeira infância e da valorização do profissional que trabalha com a educação infantil no município.



REFERENCIAS



GIROUX, Henry A. Professores como Intelectuais Transformadores. In: GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997, 157-164.


PACHECO, José.Quando eu for grande quero ir à primavera-São Paulo: Editora Didática Suplegraf, 2003.

CONSCIENTIZAÇÃO COM BASE EM PAULO FREIRE

Constituindo diferenças: uma discussão sobre a pedagogia e o currículo na educação infantil- Maria Isabel Edelweiss Bujes

:: Postado Por Andréia Nunes
:: Hora sábado, novembro 04, 2006




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Nome:Andréia Nunes
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Cidade:São Leopoldo

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